Festa Juninas PDF Imprimir E-mail
Por Pela editoria   
24 de novembro de 2008
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Festa Juninas
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A noiva do casamento caipira

Por Letícia Beatriz Nogueira,15 anos, especial de Belo Horizonte, convidada.

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Quando a Revista Trapiches me convidou para escrever sobre a festa junina de meu colégio, pensei duas vezes. Não gosto de festa junina, detesto música caipira e acho ridículo roupa xadrez.

Até a quinta série, minha mãe me obrigava a colocar aqueles vestidinhos bregas e chapéus arrematados com rendinhas... E as trancinhas em meus cabelos então?! Grrrr! Que ódio!

Ano passado eu nem fui à festa junina da escola. Já estava na 8ª série e, aos quatorze anos, me considerei grandinha o suficiente para fazer o que bem entendesse da vida: ficar em casa ouvindo Pitty.

Mas, pelo bem da literatura, aceitei o convite pra ir à festa deste ano. Aliás, fiz mais que isso: inscrevi-me para ser a noiva do casamento caipira... E fui a escolhida!

Só não me arrependi completamente porque rolou um boato de que o noivo, o qual não revelarei o nome, planejava me beijar de verdade na hora do sim. E, meu Deus, que gato!

Mas, vamos à festa:
Descobri um caipira que gosto: Zé Ramalho. Eu sei, não é exatamente caipira, mas quando tocou “Vida de Gado”, me amarrei. Muito “roquenrou” esta música.

Outro: Luiz Gonzaga. “Ela só quer, só pensa em namorar”.

Acho que este ano eu vim à festa com a mente mais aberta, com outros olhos, querendo entender melhor essa cultura rural, e, é claro, ver os gatos da escola!

Bom, no meu colégio teve a barraca da pescaria, com “prendas” que os alunos doaram. Algumas prendas eram até boas, como batons, brinquinhos lindinhos, etc. Mas quando ganhei uma meia horrosa, azul com desenhos de patinhos, fiquei com ódio. Tiveram também barraquinhas com comidas típicas que as mães dos alunos trouxeram: muito bolo de fubá, de todos os tipos, cremoso, com goiabada, com queijo, com coco. E canjica, pipoca, milho cozido, pé-de-moleque, paçoca, vinho quente e quentão.

A Associação de Pais e Mestres se esforçou para fazer tudo bem típico, bem caipira... Graças a Deus não tocou sertanejo! Fizeram uma festa mais para o forró, depois de Luiz Gonzaga, Elba Ramalho e muito forró universitário: “Tava esperando na janela, ai, ai...”.

Na hora da quadrilha, descolaram um cd só de sanfoneiros.

O beijo? Ah, o beijo rolou... Mas quando a quadrilha acabou, mandei prender o garoto e, com ele na cadeia, mandei um correio-elegante dizendo que ele era um gato!
Depois fui embora pra casa. Ele que ficasse lá, preso, pensando se fui eu ou não.
Devo confessar, este ano adorei a festa junina!

P.S.: Este ano o correio-elegante inovou: era via mensagem de texto! Com isso, já sei o celular dele e ele o meu. Será que ele vai me ligar?