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FELCO - Cinema Latino faz frente ao Eurocentrismo PDF Imprimir E-mail
Por Por Aline Souza, sucursal Belo Horizonte   
24 de novembro de 2008

Esse texto, que pode ser baixado por completo, traz a reflexão das novas representações imagéticas da América Latina no contexto mundial e sua tentativa de inserção nos mercados neoglobais.

Logo
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Sabemos que em alguns momentos da história do cinema mundial houve iniciativas que atrelaram o fazer cinematográfico à conquistas populares de cunho político e social: o cinema russo com Einstein e Dziga Vertov e experiências com o agitprop – locomotivas que levavam arte, cultura e cinema à população semi-analfabeta da recém revolucionária Rússia; Jean Rouch e a vanguarda francesa; o cinema novo de Glauber Rocha no Brasil, e exemplos Aruanda, de Lindauarte Noronha, que anunciou o nordeste como tema central. Eram filmes sem público, produzidos de forma precária, devido à falta de recursos, e que tampouco tinham como alvo as salas de cinema, mas sim as associações de bairros, os cineclubes dos Centros Populares de Cultura.

Felco, http brasil.indymedia.org
Felco, http brasil.indymedia.org
Também por entre as décadas de 60 e 70, surgiram as idéias do Cine La Base de Raymundo Gleyzer, na Argentina, e o cinema libertário das teorias do Grupo Ukamau, na Bolívia, de Rojer Sanjinés. Em toda a América Latina existiram experiências que inspiraram, principalmente, a realização do gênero documentário. Em alguns países latinos temos exemplos atuais de organizações independentes, reconhecidas como coletivos autônomos de pessoas que produzem o cinema pós-novo, feito dentro de movimentos sociais que buscam traduzir as reivindicações por melhores condições de vida de uma maneira diferente daquela replicada pelas agências internacionais.

A Argentina tem se destacado nesse cenário e, inclusive, possibilitou a criação de um festival de cinema e vídeo específico: o FELCO - Festival Latino Americano da Classe Obrera. O festival foi criado para escoar um conjunto de obras movido pelo intento de se fazer cinema popular, que vê uma sociedade dividida em classes, cujas riquezas são distribuídas de maneira desigual. E cuja luta social é urgente.

Glauber Rocha em cartaz do Felco
Glauber Rocha em cartaz do Felco
Como é, então, possível que nos dias de hoje possa haver a união de cinema, arte e política?

A terceira edição do FELCO, em Belo Horizonte, aconteceu de 2 a 6 de abril de 2008 e foi a mais ousada de todas, pois se propôs alcançar maior público e buscar novos parceiros e apoiadores do festival no estado. Trata-se de um festival que tem - até mesmo na sua organização e produção - os valores de luta e esperança e, por isso, foi muito compensador notar a sala cheia, ver que muitos queriam falar na hora do debate e, ao fim das sessões, ver os filmes aplaudidos pelo público.

Muito se falou sobre a ida do festival para as ruas, para as fábricas, para os locais onde a classe trabalhadora está. É exatamente esse o motivo de se criar a Rede FELCO Minas, para reunir pessoas em torno de um Portal Virtual de cultura alternativa, cultura popular, bons debates e boas iniciativas.

poster cinco vezes favela
poster cinco vezes favela
Ainda que a cultura, a mídia e os pensamentos hegemônicos estejam dispostos a reproduzir o pensamento colonial, onde a exploração ainda existe, as populações seguirão mostrando uma outra verdade. O cinema latino-americano nasceu com o cinema estrangeiro, espelho de uma classe dominante, e superou, de certa forma, esse aniquilamento a partir dos anos 50 com “Vidas Secas” de Nelson Pereira dos Santos, o Cinema Novo brasileiro, a escola de Santa Fé, os grupos Cine La Base e Ukamau. Eles acordaram o continente para os movimentos crescentes de liberação que foram tomando o imaginário dos amantes da Sétima Arte, quando a Revolução Cubana era a ponta de lança desse amanhecer. Então, muitos cineastas independentes se agarraram à idéia de uma redenção da realidade latina, utilizando a imagem como meio de autoconhecimento.

Os filmes do FELCO mostram-nos o seu teor político contestador. A montagem não faz simplesmente uma junção de cenas e quadros, mas nos apresenta reflexão. Precisamos imaginar que são filmes que propõem a recriação da vida, a partir de uma tomada de consciência a respeito da condição humana.

Agora, este cinema deixou inspirações suficientes para que outros cineastas exponham as temáticas que precisam ser abordadas. De forma imprescindível, o cinema social atual está sendo feito com baixo orçamento e em suportes digitais, sem grandes pretenções estéticas, mas de compromisso com a vida e com o povo.

poster vidas secas
poster vidas secas
Esta é uma tentativa autônoma de impedir que a globalização silencie as vozes e as expressões do povo latino, mesmo que os novos modelos sutis decretem o cinema do Terceiro Mundo como um cinema morto para os grandes mercados internacionais.

 

Cinema Latino faz frente ao Eurocentrismo

Ou nos unimos ou seguiremos eternamente colonizados

 
 
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